Para John Rawls, uma sociedade democrática estável e justa, composta por cidadãos livres e iguais, que por sua vez são incompatíveis, devido à diferença de religião, aspectos morais e filosóficos, pode existir de forma durável e eficaz. Importante, porém, que se respeitem as liberdades individuais, impedindo que uma visão particular do bem, torne-se princípio coletivo de justiça.
Quando soube que escreveria para o jornal, logo me perguntei qual tema interessaria a esse público homogêneo por fazerem parte de um mesmo setor, mas heterogêneo no que diz respeito a ideologias. Então pensei em enfatizar Tecnologia de Informação, Políticas Públicas, LRF. Mas sabem de uma coisa? Para mim esses assuntos são mais que necessários, mas já estão repetitivos, todo dia sai alguma coisa sobre eles... Vamos então inovar, não seremos técnicos, tentaremos ser humanos, humildes, conscientes, povo mesmo, só agora estaremos fora do contexto da administração, agora seremos o público, com todas as diferenças, mas respeitando-se.
Moro em Salvador, capital que abriga mais de 2.600.000 de pessoas, todo dia saio e vejo a maior diversidade, somos ricos nas diferenças. Há o que pede, há o que dá, há o que não se importa. Enfim, somos muitos e diferentes, mas iguais na essência, iguais quanto a nossa importância.
Perante quem temos o mesmo valor? Não sei. Poderemos ser espirituais e dizer que perante Deus temos o mesmo valor; ou poderemos ser políticos e dizer que perante a Nação temos o mesmo valor; ou sejamos tradicionais, e diremos que numa família todos têm o mesmo valor.
Eu digo sinceramente, que isso não me importa, importa que estamos aqui e perante quem quer que seja, estamos no mesmo barco, uma parte do barco está afundando é verdade, mas o barco continua o mesmo. O valor é individual, só valorizo outro se reconhecer o meu próprio valor, só creio na mudança, se antes mudar.
Não digo que os problemas são também individuais (alguns sim), mas a mudança começa em cada um, a certeza de que pode melhorar vem na individualidade. O Estado tem seu papel, descumpre boa parte, mas somos nós, individualmente que faremos o contrário, que mudaremos o caminho em que vai a coletividade.
Se é da direita ou da esquerda, não importa. Se é branco ou preto, muito menos. Se é heterossexual ou homossexual, importa muito menos ainda. Mas importa saber que um "igual" tem passado fome, não tem onde dormir, está sendo maltratado nas instituições governamentais, que está morrendo na fila dos Hospitais Públicos. A importância que tenho perante Deus, a Nação e a família, me deixa livre para entender que diante de Mim, todos são iguais, carentes de respeito e dignidade. Que não preciso esperar a próxima eleição para que meus semelhantes sejam valorizados, a valorização coletiva deve começar já.
Jeane Cordeiro é gerente administrativa da Link3 Tecnologia.