O principal problema do acúmulo de ambulâncias na porta dos grandes hospitais de Salvador é a falta de comunicação das secretarias municipais de Saúde com a Central Estadual de Regulação. Para o superintendente de Gestão da Regulação da Secretaria de Saúde do estado (Sesab), Andrès Alonso, 95% dos pacientes enviados à capital sem consulta prévia à central poderiam ser absorvidos pelo próprio município ou hospitais próximos do local de origem.
Os motivos da limitação na oferta de determinados atendimentos, além da falta de estrutura e equipamentos, passam pela desatualização dos médicos que atuam nos municípios. “Falta investimento das prefeituras em educação permanente”, acusa Andrès. Ele comenta a transferência de seu Dionísio de Jesus, 76 anos, de Capim Grosso para Salvador, onde foi atendido no Hospital Geral do Estado (HGE) para tratar um corte no dedo. “A possibilidade de lesão em um tendão exige o atendimento de um especialista, mas não é possível que em 270km não exista uma cidade em condições de atendê-lo”, pondera.
O superintendente conta que a Sesab está investindo na ampliação da rede própria, para promover a regionalização de procedimentos mais complexos. No hospital de Barreiras, já é possível fazer neurocirurgia, também disponível em Vitória da Conquista e no Clériston Andrade, em Feira de Santana. Em Irecê e Juazeiro, estão sendo construídos leitos de UTI, já existentes em Ilhéus e Ribeira do Pombal. Em Cruz das Almas, além da UTI, o hospital contará com unidade de queimados, hoje só disponível no HGE. Ainda este, ano deve ser inaugurado o Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus e, até 2010, deve ser concluído o Hospital da Criança, em Feira de Santana.
Além disso, o estado vem incentivando a contratualização em municípios que não contam com a gestão plena de saúde, direcionando a verba vinculada do Ministério da Saúde para hospitais de pequeno porte (com até 30 leitos) e instituições filantrópicas. “Não podemos desprezar a capacidade instalada. Construir hospitais para competir com a rede privada só produz marketing para o gestor do município”, avalia.