Os deputados governistas que carregam para o Planalto o andor da recriação da CPMF registravam ontem dissidências de até 20% nos partidos da base na terceira tentativa de votar a proposta que cria a Contribuição Social para a Saúde (CSS), além dos votos contrários de pequenas bancadas como o PV, o PMN, o PHS e o PSC. Para aprovar a cobrança, são necessários 257 votos e, nos cálculos governistas, a base deverá reunir em torno de 270 a 280 votos. O placar é considerado apertado.

Nos últimos dias, os governistas não se preocuparam com o quorum na Câmara e a votação, marcada inicialmente para hoje, só poderá acontecer em sessão à noite. Líderes partidários antecipam que querem deixar para amanhã, quando esperam garantir os votos necessários em suas bancadas. Desde quinta-feira passada, não houve sessão ordinária no plenário, e não foi cumprido, assim, o prazo para o relator do projeto na comissão de Seguridade Social, Rafael Guerra (PSDB-MG), apresentar o seu parecer.

O pedido de prazo foi uma manobra da oposição que acabou adiando em uma semana a votação do projeto da CSS. O governo enfrenta focos de resistência entre parlamentares que relutam em assumir o desgaste político de aprovar um novo imposto tão próximo das eleições municipais, da bancada da barganha, que usa momentos decisivos para o governo para pedir o atendimento de suas reivindicações, como a liberação de emendas feitas ao Orçamento da União para suas bases e loteamento de cargos, e deputados que são contra a CSS por convicção.

O argumento governista apresentado para diminuir dissidências na base de que a cobrança da CSS só será a partir de janeiro do próximo ano tem sido usado pelos próprios aliados para tentar jogar a votação do projeto para outubro. Para evitar desgaste principalmente para os deputados que são candidatos a prefeito,  há aliado defendendo que a votação da CSS fique para depois das eleições. Além de tentar convencer a base sobre a necessidade de criar a CSS, o governo tem se preocupado em garantir que o deputado ficará na sessão para votar a favor.