Das 12 unidades de pronto atendimento médico de emergência na cidade, apenas quatro – 16° Centro de Saúde (Boca do Rio), 5° Centro de Saúde (Centenário) e os postos de saúde de São Marcos e do Pau Miúdo – não estão em situação precária. Mas isso só acontece porque são custeadas por entidades filantrópicas, como o Hospital São Rafael, Fundação José Silveira e Obras Sociais de Irmã Dulce, que pagam os salários dos profissionais de saúde e compram medicamentos básicos. O resultado disso é que estas quatro unidades vivem superlotadas, e algumas delas, como a de São Marcos, por causa da sobrecarga de trabalho, recusam novos pacientes, principalmente, crianças.
Na Unidade do Pau Miúdo, uma das quatro que ainda funcionam com regularidade em Salvador, o atendimento pré-marcado só está sendo possível para o final do próximo mês. O posto distribui diariamente apenas 60 senhas para marcação de consultas, e, por causa disso, há brigas entre as pessoas que dormem nas filas e venda de lugares na fila, que chega a custar entre R$ 10 a R$ 15.
Nas demais unidades, mantidas com recursos da Prefeitura de Salvador, como as de Periperi e Itapuã, não há médicos, medicamentos, e parte dos equipamentos encontra-se danificada. Em Periperi, única unidade desse tipo no subúrbio ferroviário, há, além da falta de médicos, dificuldade para a marcação de uma consulta em um prazo inferior a 60 dias.
Remédios – O coordenador-médico da Unidade de Saúde de São Marcos, Aurélio Andrade, disse que, na maioria dos postos, não se encontram medicamentos básicos, como o Berotec, o Predinisolona e a Amoxilina. Segundo ele, sem esses remédios, a população tende a buscar as unidades de referência em emergências, transformando-as em ambulatórios. “O problema é que essas quatro unidades são as únicas que têm essa estrutura em funcionamento. As demais estão em situação precária”, explicou.
A coordenadora do Distrito Sanitário do Subúrbio, Marymar Novaes, explicou que a população cresceu na região sem que houvesse um acompanhamento da implantação de unidades básicas de saúde. Hoje, existem apenas três delas – Bariri, Paripe e Fazenda Coutos – que funcionam em instalações precárias e que não dão conta da demanda. Para a população, só resta como alternativas: dormir na fila ou comprar um lugar nela por até R$ 15 para conseguir marcar uma consulta.
Senhas – No Posto de Saúde Maria da Conceição Santiago Imbassahy, no Pau Miúdo, são distribuídas, por dia, 60 senhas, para mais de 300 pessoas, que chegam na noite do dia anterior e ficam na fila até as 8 horas do dia seguinte, quando começa o atendimento. Quem consegue um lugar entre os 60 primeiros da fila, como Patrícia Santos Ferreira, de 28 anos, tem que chegar com pelo menos 12 horas de antecedência. Ele chegou às 20 horas do dia anterior. Já quem chega depois das 5 horas, como Maria da Conceição de Jesus, 40 anos, tem que arriscar um lugar na fila dos que aguardam a desistência de algum paciente. Ou, então, como foi o caso de Ana Lúcia Pereira, de 40 anos, pagar R$ 5 (pode chegar a R$ 15, a depender da especialidade) para obter lugar na fila.
Reformado em 2004, o Posto do Pau Miúdo tem o custeio bancado por entidades filantrópicas. O custeio vale apenas para o pagamento de salários e a compra de medicamentos básicos. O local até recebe pacientes que vêm de cidades vizinhas, como Dias d’Ávila e Simões Filho.