O ritmo frenético e o nervosismo de quem não tem tempo a perder tomaram conta dos bastidores da pré-campanha eleitoral. Prefeituráveis se preparam para a grande batalha de outubro definindo estratégias para a caminhada que os distancia das urnas. Ganha ênfase a atuação do marqueteiro, uma espécie de escudeiro que começa seu trabalho estabelecendo o foco da campanha. Se transitar de forma quase invisível, o escudeiro estará mais próximo da perfeição.
O marketing prospera, se inventa e se reinventa nos países mais desenvolvidos. Ganha novos ingredientes no Estado da Bahia, que exporta profissionais do setor. Um dos maiores craques foi o baiano Geraldo Walter de Souza Filho, o Geraldão, que morreu em 1998, deixando vasto referencial que até hoje é aplicado.
Geraldão comandara a comunicação na vitoriosa campanha de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) à Presidência da República, em 1994, e de José Eduardo dos Santos à presidência de Angola, em 1992. Era o responsável pelo ramo institucional (político) da agência DM9.
Antes de morrer, em 1998, Geraldão demarcou o caminho do moderno marketing político brasileiro. Ensinou a pensar globalmente e agir localmente. E a Bahia se revelou o berço de alguns dos mais brilhantes marqueteiros do País: além de Geraldão, Duda Mendonça, Fernando Barros, Sérgio Amado e João Santa Filho, responsável pelo marketing do presidente Lula.
Nas duas últimas décadas, as campanhas eleitorais foram especialmente quentes na Bahia. Os primeiros sinais são de que em 2008 a disputa vai pegar fogo. Durante recente episódio de troca de secretários de Comunicação da Prefeitura de Salvador (saiu o jornalista Vitor Hugo Soares, entrou o jornalista e empresário André Curvello), a temperatura começou a subir rapidamente. O marqueteiro do Palácio Thomé de Souza ocupou espaço na linha de frente do cenário político. Foi um foco de luz sobre esse personagem.
Espaço – Na última semana de janeiro, constatou-se que contrariando os estilos já vistos antes, os corredores palacianos hoje abrigam um marqueteiro ruidoso: Maurício Carvalho, 43 anos, homem que não hesita em telefonar para redações e jornalistas, avisando que tem iniciativa própria. Maurição, como é conhecido, demarca a dimensão do seu espaço de trabalho, da sua influência e autoridade.
Foi assim que convenceu o prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) a trocar o secretário de Comunicação. Alegou que o jornalista Vitor Hugo não colaborava com o trabalho de marketing para a reeleição. Entrevistou jornalistas em busca de um substituto para o titular da Comunicação. Esse trabalho de prospecção vazou e resultado foi um traumático terremoto.
No auge da crise, dia 23 de janeiro, o ex-secretário Vitor Hugo tentou falar com o prefeito João Henrique (PMDB) e não conseguiu. Decidiu, então, afastar-se do cargo sem despedida formal. O subsecretário Jorge Ramos deu declaração, para situar o conflito entre a Comunicação Social e o marketing político.
A exposição da crise foi alimentada pelo marqueteiro Maurício Carvalho. Ele se encarregou de informar a A TARDE que pediu a demissão do titular da Comunicação por falta de sintonia com o marketing da pré-campanha. Por trás do telefonema de Carvalho à Redação havia o objetivo de excluir a participação da primeira-dama, deputada estadual Maria Luiza Orge (PMDB). Ainda assim, o efeito foi devastador.
Maurício Carvalho tem trajetória profissional bem-sucedida. Atuou na agência Idéia 3 durante seis anos, período em que se credenciou diretor de criação. Transferiu-se para a Propeg, onde ficou nove anos, até dezembro último. Detentor de prêmios como o Colunistas de Profissional do Ano (2000), obteve reconhecimento no mercado baiano e ao deixar a Propeg, exercia o cargo de vice-presidente de criação, com salário de R$ 22 mil. No final de 2007, desligou-se da agência para atuar como consultor de marketing do Palácio Thomé de Souza.
O novo secretário André Curvello assumiu dando declarações de que exercerá as suas funções, com autoridade e autonomia, sem acatar interferências. Vai ser preciso "domar" a fúria do marketing rumo às eleições de outubro. Por um único motivo: a legislação eleitoral distingue a Comunicação Social feita institucionalmente do marketing eleitoral.
Ao comentar o conflito que levou à troca de um dos seus auxiliares direto, o prefeito João Henrique tentou estabelecer limites entre o marketing e a Comunicação Social. “Haverá respeito ao espaço de cada um”, sentenciou.