Os prefeitos petistas são os que mais vão tentar a reeleição em outubro próximo. Entre os 10 maiores partidos do País, que controlam 96% das prefeituras brasileiras, o PT é o que apresenta maior número de administradores municipais tentando ficar no cargo - 85,1% dos 335 prefeitos em primeiro mandato. Em segundo lugar vem o PTB com 82,4% de 323 prefeitos espalhados por todo o País. Os números fazem parte do levantamento efetuado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).
O PSB vem logo a seguir com 81,4% dos 231 prefeitos aptos a concorrer, seguido do PMDB - que controlam o maior número de prefeituras, 1285 dos 5562 municípios brasileiros -, com 78,9% dos 1036 em primeiro mandato. Em seguida aparecem o PR, com 77,3% de 344 possíveis; o PDT, com 76,9% de 260 prefeitos; o PP com 75,3% de 405; o PSDB, com 74,6%; por último aparecem o DEM, com 65,5% de 438; e PPS, com igual percentual mas de 110 prefeitos em primeiro mandato.
Ainda de acordo com o levantamento da CNM, o porcentual de prefeitos que tentarão um segundo mandato entre todos os partidos neste ano é o maior desde a introdução do mecanismo da reeleição. Dos 4.368 prefeitos que podem disputar a reeleição em 2008, pelo menos 3.361 (76,9%) declararam aos pesquisadores da CNM que vão concorrer.
Em 2000, na primeira eleição municipal na vigência da emenda constitucional da reeleição, todos os 5.558 prefeitos puderam disputar o segundo mandato, mas apenas 3.448 o fizeram (62,0%). Em 2004, o número de prefeitos em condições de se reeleger caiu para 3.556, e o número efetivo de candidatos à reeleição foi de 2.251 (63,3% dos que podiam). Ou seja, embora o número absoluto de candidatos à reeleição de 2000 ainda seja o maior, o índice de tentativa de reeleição tem crescido a cada pleito, atingindo o maior porcentual das três eleições em 2008.
Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, o crescimento do porcentual de prefeitos que tentarão a reeleição pode refletir a melhoria dos indicadores fiscais e de gestão dos municípios. "Os prefeitos sanearam as contas no último mandato e presumem que poderão se planejar melhor num segundo mandato e concluir as obras e projetos iniciados", diz Ziulkoski. No entanto, para o presidente da CNM, ainda há um número considerável de prefeitos que desiste de concorrer em virtude da "fiscalização ostensiva e - até certo ponto - desigual que sofrem do Ministério Público, se comparado com os governadores". "Apesar disso, a maioria está se atrevendo a buscar a reeleição", afirma o presidente.
Como todos os municípios brasileiros recebem recursos da União, sejam diretos ou não obrigatórios, o maior fiscalizador das prefeituras é a Controladoria Geral da União (CGU). Desde 2003, a CGU resolveu sortear os municípios a serem fiscalizados. Já foram sorteadas 1.401 prefeituras, em 26 sorteios. As ações de controle geraram centenas de relatórios, que foram encaminhados aos diferentes órgãos públicos responsáveis pelas ações corretivas, como os Ministérios gestores, Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União, Polícia Federal, câmaras municipais, assembléias legislativas, entre outros.
Segundo a CGU, do total de municípios sorteados e fiscalizados, os recursos totais fiscalizados, até o momento, são da ordem de R$ 8,5 bilhões. Ainda de acordo com o órgão, em 70% a 80% dos municípios, em média, existem problemas graves.
Entre os problemas mais constatados nos municípios estão obras inacabadas ou paralisadas, apesar de pagas; uso de notas fiscais frias e documentos falsos; simulação de licitações ou irregularidades no processo de licitação, incluindo a participação de empresas fantasmas; superfaturamento de preços, falta de merenda escolar e de medicamentos; gastos sem licitação; não comprovação da aplicação de recursos; favorecimento de empresas, irregularidades nos cadastros de programas como o Bolsa Família, entre outras.