Considerada o lance político mais impactante da sucessão em Salvador até agora, a confirmação de que ganharam corpo as negociações com vistas a fazer de Raimundo Varela (PRB) candidato a vice na chapa de Antonio Imbassahy (PSDB) teve o efeito de uma grande tsunami na capital baiana, cujos estragos nas campanhas adversárias ainda não foram devidamente dimensionados.
Ainda que não queiram dar o braço a torcer e se escondam em progressiva dissimulação, à exceção do PT, mergulhado numa forte crise interna que lhe draga a atenção exclusivamente para a escolha de seu candidato a prefeito, todos os protagonistas do jogo municipal se viram ontem à noite obrigados a tentar analisar a extensão da inesperada união entre PRB e PSDB em Salvador.
Na Assembléia Legislativa, caixa de ressonância dos grandes acontecimentos políticos baianos, a sensação ontem entre parlamentares governistas era rasa: confirmada a aliança, Imbassahy pode “comer” a disputa de forma radical, alterando completamente o quadro eleitoral na capital. Por este motivo, o acordo foi amaldiçoado pela concorrência, que usa contra ele os recursos de que dispõe.
Da intriga pesada, passando pela tentativa de disfarçar o incômodo, à pressão para que o casamento malogre, instrumentos mais do que conhecidos do enfrentamento político, tudo tem sido posto em prática com o objetivo de neutralizar uma iniciativa que Imbassahy e Varela, neste momento guindados à condição de atores principais do espetáculo, podem concluir com vitória ou não.