PTB fecha com PMDB em Salvador

 
 

Não faltaram críticas ao PT ontem, durante evento que referendou o apoio do PTB à reeleição do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) e lançou o tributarista Edvaldo Brito como pré-candidato a vice na chapa peemedebistas. Todas as personalidades políticas que discursaram no auditório do Centro Cultural da Câmara de Vereadores fizeram algum tipo de censura aos petistas, que decidiram abrir mão de lançar candidato próprio, rompendo com a prefeitura após três anos e quatro meses na gestão municipal. As críticas mais fortes e aplaudidas foram feitas pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, maior liderança do PMDB no estado e também o principal aliado do governador petista Jaques Wagner.

“Aliança é coisa séria. É preciso que os apoiadores andem juntos até o final. Quando eu apoiei a candidatura de Jaques Wagner (PT) para o governo estadual, ofereci mais que tempo de televisão, ofereci a minha lealdade e o meu compromisso com a administração. É disso que João Henrique precisa de todos”, disse Geddel. “Quem é que vai criticar a saúde? Quem ocupou a secretaria três anos e meio e sucateou todo o sistema? Eles não têm autoridade. Para mim, aliança é algo sério, algo de mão dupla, não de mão única”, acrescentou o ministro, dirigindo-se aos representantes de todos os partidos presentes – que incluiu ainda PP, PSC, PDT, PRTB, PSL e PHS.

O ministro também fez críticas ao ex-prefeito Antonio Imbassahy. “O ex-prefeito quer mostrar à população que é o grande homem de Salvador, mas não teve competência, quando ficou à frente da prefeitura durante oito anos, de tornar o metrô em uma obra real”, disse Geddel. “Tenho respeito pessoal por todos (os candidatos), mas não posso deixar de me indignar com o ex-prefeito, o falso carlista, que fala como se ele não tivesse nada a ver com o que está aí. Foi o prefeito que mais concentrou o dinheiro na mão dos ricos. Em toda sua carreira recebeu tudo sempre de mão beijada. Ele cospe nessa página da história como se nada tivesse acontecido”, complementou o ministro, lembrando de demissões na prefeitura e dos “oito anos massacrando o funcionalismo público sem aumento para atender os desejos do seu patrão”.

Alfinetadas - João Henrique optou por um discurso mais focado no que considera realizações do seu governo. Mas não deixou de alfinetar adversários, que, segundo ele, “não têm moral para falar nada”. “Tiveram tantos anos e não fizeram nada. São 200 obras de infra-estrutura (que estão em andamento, de acordo com o prefeito) com apoio do Ministério da Integração Nacional”.

 

Propostas - O candidato a vice-prefeito da chapa de João Henrique, Edvaldo Brito (PTB), que também vai coordenar a elaboração do programa de governo do peemedebista, entregou ao prefeito uma proposta de ações integradas constituída pelos partidos da coligação. Na proposta, cinco áreas foram consideradas importantes: saúde, segurança, infra-estrutura, finanças e social. “Já começamos a trabalhar, a traçar metas para Salvador. Os valores partidários precisam ser agregados desde agora, antes mesmo das campanhas, e não apenas em 2009, quando se iniciará o governo”.

Adepto e praticante da religião do candomblé, Brito afirmou que umas de suas primeiras medidas será evitar episódios como o que ocorreu em fevereiro quando a então superintendente da Superintendência de Ordenamento e Uso do Solo (Sucom) e secretária do Planejamento, Katia Carmelo, mandou demolir o Terreiro Oyá Onipo Neto, localizado na Avenida Jorge Amado, alegando ser uma construção ilegal.

Com a união entre PTB e PMDB, os petistas, que realizam prévias no próximo domingo para definir o candidato do partido, perderam um aliado em potencial. A presidente da executiva municipal do PT, vereadora Vânia Galvão, lamentou a decisão do PTB, mas afirmou que está confiante na formação da aliança com o PCdoB, que tem a vereadora Olivia Santana como pré-candidata à prefeitura de Salvador. Ela espera ainda contar com o PSB da deputada federal Lídice da Mata, que na última eleição municipal teve o respaldo do PMDB mas hoje está isolada.

Reunião - Ontem, Geddel se reuniu, na Governadoria, com o governador Jaques Wagner para tentar aparar as arestas por conta das disputas eleitorais na capital e no interior. Geddel negou que haja qualquer tipo de desgaste entre ele e o governador. De acordo com o peemedebista, o que há, de fato, são problemas na relação entre o PT e o PMDB em cidades do interior do estado, a exemplo de Ilhéus, Itabuna, Irecê e Juazeiro. “Há o reconhecimento claro de que há um abalo nas bases do interior. Mas vamos trabalhar para que ele seja sanado”. E emendou: “não podemos e não vamos estar diretamente envolvidos nisso”.

O ministro enfatizou ainda que não teria porque a relação entre eles estar estremecida em decorrência das desavenças regionais.

 

Correio da Bahia | Luiza Torres e Osvaldo Lyra

   
 

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